Suicidemo-nos como quem escreve uma carta de amor, como quem senta um
neto no colo para contar uma parábola, ensinar um segredo. Sempre a
possibilidade da imortalidade a chagar a consciência como um rato numa
arca cheia de milho.
E chove-me a consciência, também, e a
leveza de poder sentir o mundo da minha varanda, onde por léguas nada
alcança a altura dos meus olhos - voo de lá para cá infantilmente e
quando poiso lembro-me que esta noite farei amor com a mulher que amo e
que o mundo - ou eu, nuclearmente a mesmíssima coisa - poderia desabar
sobre si próprio e acabar de uma vez, sem grande estrondo.

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