Tremem-me as mãos ao momento que te vejo a chegar naquela estrada e que me sento ao teu lado direito. Na clareza com que, numa aparição, vejo-te nítida; já só te via apenas em fotos e em pensamento, já só ouvia o teu timbre de voz em memorias e apenas tentava recordar dos provérbios que de ti aprendi. Num despertar de carro e de comboio, acabamos por chegar à cidade que nos acolheu e que nos fez conhecer e sonhar com tudo e nada. Por momentos, a minha inutilidade suja que me aperta a goela sem piedade, impavidamente maníaca, e me estoira no peito o desespero e a falta de ar, tudo isso parou e tudo isso deu lugar a uma tranquilidade e bem estar que há muitos já não presenciava, somente naqueles banco, naquela estação. Um cigarro oferecido e acendido pela chama que do meu casaco tirava, marcava o inicio da tarde, mais um passeio pelas nossas ruas e pelos nossos jardins. Passamos pelo palácio e, sem te dizer anda, lá recordei tudo que de lá já vivenciamos, palavras, photos, imensas e retribuídas parvoíces, tudo isso ainda me consta na memoria.
Lá chegamos..., e valeu a pena, pelos vistos este local era o nosso "novo local", tinha superado o palácio, era escuro, mórbido e tinha um pântano. Sim, um pântano, algo que sabia antes de te mostrar que irias gostar de observar e fotografar.
Tudo perde essência quando recordado e aos poucos esquecido, como que a transferência química
de folha para folha. Sentir é uma ocasião e só se sente de verdade
quando só depois do sentir vem a razão dizer que ele foi inútil e consequente, porque o nosso corpo, agarrado à alma, é roldanas, que
enfim param.
Ao fim do dia lembrar-nos-emos de tudo e anotaremos tudo, para os olhos
inúteis de compreensões ineficazes. O mundo só sente o teu peso, nunca a
tua falta.
O pequeno músculo bateu durante a tarde, e deixei de imaginar e recordar o pequeno sinal. Finalmente o VOLTEI A VER.

Sem comentários:
Enviar um comentário