fruir uma existência que em nada perturbasse o caminho das coisas em volta. ser só sentidos e a compreensão deles, poder sê-lo sem sequer me materializar, jamais me atravessando no caminho de qualquer coisa.
porque nada justifica uma existência que perturba. e que direito tenho eu de te deixar infeliz? é que a tua infelicidade pesa-me para lá da minha, que já trato por tu e alimento com assiduidade, e cria uma nova maneira de estar triste, que é ter remorso de sequer me poder mexer, porque tudo o que fizer agora vai ser prejuízo em ti. a culpa cristalizou-se e sitiou-me o peito. quem me dera poder anular-me, sem ficar nem memória, nem traço, nem luto de mim neste sítio. sinto que tudo o que aconteceu esteve sempre fora da minha mania histérica de controlar a totalidade do que se passa e as suas consequências. impotente. e que direito tenho eu de te deixar infeliz? impotente, até, de me anular.

Apesar se o fazer sem que te apercebas, leio tudo o que escreves e, sem que me aperceba, fico tão presa a cada palavra que chego a julgar-me anti-arte
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