domingo, 29 de junho de 2014

02:42


quando se faz o imperdoável com esperança num porvir fatal e certo e quando se monta um aparato com toda a convicção de que nos estamos a poupar ao mal maior e depois o que acontece, bem, o que acontece é que a vida vai-se rir na tua cara, 
a vida, com os dentes amarelos e o hálito podre, vai-se rir na tua ridícula cara, e tu só podes é ficar a ver, de boca aberta que nem a abécula que és, enquanto ela desce a rua com as chaves a rodar no indicador, ainda a consegues ouvir soluçar aquele riso enervante, puta da vida que se vai sempre embora a rir de ti, e é isto que acontece, ficas-te sem reacção, pálido como uma parede caiada num dia de verão. e perguntas-te se hás-de rir também, na cara da adversidade, nem que seja pelo sabor ferrugento que a ironia disto tudo te deixa na boca, ou se hás-de desejar viver num jarro de formol para o resto do tempo.

é isto que acontece quando achas que estás a agir pelo bem maior. deixa de agir pelo bem maior, estupor. age por ti, porra, por uma vez. sê o frio que te gabas. está toda a gente a ir embora. está a pôr-se tarde. até a vida se vai embora a rir de ti. e ela tinha prometido que te dava boleia.

são 02:42 e não me sais da cabeça...

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