sexta-feira, 27 de junho de 2014
derrames da alma
tento achar algum fim do teu perfume nalguma parte do meu corpo. tenho saudades dessas noites em que ele ficava a pairar sobre mim, denso, quase luminescente, como às vezes o ar quente do verão sabe ser. tento achar o teu perfume - para que ele se caia sobre mim como um lençol é deposto sobre um defunto - e não o encontro e já não tenho pálpebras para beijar. é o sono que me traz este romantismo que desprezo. não ligues. vou deixar-me dormir
Uma projecção de mim é o que tenho andado a viver: é um filme triste e adormeci a meio.
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