quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Outro dia vi o amanhecer da janela do meu quarto. Um cobertor de nevoeiro baixava sobre o pinhal e toda a luz parecia trazer quebranto e presságio de coisas graves. A falta de vento, mas a consciência da humidade na minha pele, pareceu entorpecer toda esta hora e, lá na minha janela, senti viver-me a vida toda, abismando-me entre mim e mim, naquele cenário parado. Ouvia-se só o burburinho dos primeiros pássaros, que profetizavam mais, sinto-o agora, que muitas línguas estrangeiras faladas bem. Decidi sair dali, com um suspiro casual e um encolher de ombros - dali, da minha janela, onde percebi a vida toda - que é como tenho saído de todos os decisivos momentos da minha vida, e deitar-me na cama. Não me recordo de sonhar em todas as horas que dormi, depois.

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