quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Míope da vida, alheio-me como quem nega o dia ao não abrir as portadas das janelas. Anulo-me no escuro do meu quarto com medo selvagem de magoar a vista na claridade com que a verdade só pode chegar. Quando lhe vi indícios deu-me só para chorar e nos meus olhos turvos tive saudades do sol.
Não enxergo qualquer luz no ponto de fuga a que me levam todos os traços geométricos da vida. Não vejo, honestamente, futuro para mim, da maneira que vivo. Ironia violenta, o contexto inexplicável em que esta constatação fira me chega. Aos outros não parece faltar luz nem pavio. Vejo a minha vida em relâmpagos, fotogramas pálidos de movimentos sem relação necessária. Onde peço o reembolso desta farsa má?

Sem comentários:

Enviar um comentário