domingo, 16 de março de 2014



Uma pele de argila sem gomos só recortada por pequenos sinais castanhos nos sopés do rosto. Dois olhos irrequietos, muito negros, e os dedos emparelhados maquinalmente sobre as coxas. Um olhar que não se levantava a mais que uma metade, talvez com medo da luz, talvez com medo de alheios olhos. Um olhar que talvez não fosse olhar, que não poderia reparar, que fosse só pedir por perdão; uma espécie danada de sorriso que nem sorriso era, um esgar quieto e marmóreo na passividade do semblante, um rasgo de contrição inconsequente numa cara tão inocente. Uma graciosidade tão ofendida. Era como alguém que se arrependesse sempre de sair de casa, por lhe pesar perturbar a ordem das coisas.

1 comentário:

  1. o que se diz assim não é uma ofensa, mas pesa. pesa na alma e no corpo. mais no corpo.

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