Uma pele de argila sem gomos só
recortada por pequenos sinais castanhos nos sopés do rosto. Dois olhos
irrequietos, muito negros, e os dedos emparelhados maquinalmente sobre as
coxas. Um olhar que não se levantava a mais que uma metade, talvez com medo da
luz, talvez com medo de alheios olhos. Um olhar que talvez não fosse olhar, que
não poderia reparar, que fosse só pedir por perdão; uma espécie danada de
sorriso que nem sorriso era, um esgar quieto e marmóreo na passividade do
semblante, um rasgo de contrição inconsequente numa cara tão inocente. Uma
graciosidade tão ofendida. Era como alguém que se arrependesse sempre de sair
de casa, por lhe pesar perturbar a ordem das coisas.

o que se diz assim não é uma ofensa, mas pesa. pesa na alma e no corpo. mais no corpo.
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