segunda-feira, 23 de junho de 2014
na calada da noite
calo-me à noite mas só à noite quando tudo se cala e o céu se apaga. à noite quando o manto negro me alcança deito-me dentro de uma bota e sorrio com o tecto coberto de estrelas e é noite dentro de mim quando me calo.
a noite é redundante e a solidão que chega com ela também, cai, fica, vai, cai, fica, vai e sem entusiasmo choro um pouco quando o relógio que é lua na noite atira os ponteiros contra a torre, a torre que é o cume de mim enche-se de lágrimas e a tristeza encontra uma casa.
calo-me esta noite, esta noite em que a tua partida se anuncia breve, calo-me com o peito entreaberto de dores pesadas para sempre.
calo-me, calo-me, e não digo nada, apenas olho...
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