segunda-feira, 16 de junho de 2014

esse olhar que era só teu

Vejo-te! Sinto as vibrações que percorrem o teu corpo. No teu olhar, desagua um rio chamado mundo… o teu mundo solitário, incompreendido, abandonado, paradoxal e estranho.
Sabes? Um dia… um dia vi, nesse mesmo olhar, um caminho secreto que nos levava ao casarão de madeira perto de um lago, onde sonhavas construir o teu lar feliz, lugar onde as crianças podiam brincar com a felicidade e a inocência entre o sol e a lua…
Sabes?... Sabes que sei que deixaste desfalecer esse sonho? Sim! Sei que sabes.
No teu olhar encontrei tantas mágoas, tantas incertezas, misturadas com fraquezas que se envolviam num frenesim apócrifo…
Talvez saibas, sim! Embora apenas mostres esse mundo real, foi no teu olhar que descobri uma pérola construída de esperança e força. Uma alavanca que te eleva nos momentos submissos contrariando os desejos alheios… Tu que nunca foste egoísta.
No teu olhar, vi a selva das decadências em paralelo com as fronteiras da lucidez onde me afundei e vivi!
Vi o sentimento profundo. Senti-te crescer…
Hoje é no teu olhar que desagua as impurezas do teu passado. É assim que libertas as tuas vozes caladas, num exercício de grandeza. Vives entre esse preâmbulo e ambiguidades…
O teu crescimento aconteceu, mas consegues manter esse olhar infantil que questiona os porquês todos em teu redor…
No teu olhar vejo a chama que reacende para aquecer a magia de sonhar, vejo a alegria exposta na lucidez de seres mais que apenas um corpo, és pura, bela, diferente, perfeita se tal existe!
E quando me olhas nos olhos, nesses momentos únicos, nosso, revejo-me no passado… sinto a alegria em te ter e sinto o calafrio de te perder novamente.

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